Já é realidade um novo conceito de produção no mundo globalizado. Ecodesign, logística reversa e as "disassembling lines" são as novas extensões agora obrigatórias às linhas de produção, principalmente em se falando de bens de alta tecnologia.
O conceito dos 7 "R"s - repense, recuse, reduza, repare, reutilize, recicle e reintegre - ganha muito mais sentido quando entendemos o conceito real de reciclagem. Reciclar nada mais é do que reintroduzir um material de volta a algum ciclo. O problema é que o conceito é um pouco mais amplo - se um material deve voltar a um ciclo, este deve ser planejado e concebido para que ele possa voltar infinitas vezes ao ciclo. E a solução para este impasse quem traz é o design. Se os produtos são projetados não só para o uso, mas para também serem retornáveis, desmontados e seus componentes reciclados, temos um ciclo eco-efetivo, e não eco-eficiente. Imaginem só, um produto pode não só ser reciclado a ponto de ser transformado num bem da mesma categoria (reciclagem efetiva), como também pode ter sua matéria utilizada na produção de bens de maior valor agregado - o que é chamado, no inglês, de upcycling. Toda vez que um determinado material perde valor durante um processo de reciclagem, estamos fazendo um downcycling.
Essa nova concepção de produção, que cria bens projetados para serem desmontados e reintroduzidos em ciclos tecnológicos e/ou biológicos, permite a criação de um novo conceito - a de produto como serviço. Na internet já existem milhares de aplicativos de produtividade "web-based" conhecidos pela sigla SaaS, ou Software as a Service. Agora, muitos produtos oriundos desse novo modelo de produção já são recolhidos, desmontados e reaproveitados na produção de novos produtos de igual ou maior valor agregado, reduzindo drasticamente as necessidades da indústria por matéria-prima. Num futuro não muito distante, o "upgrade" de seu computador ou aparelho de televisão por um modelo mais moderno poderá ser conseguido através de uma empresa de prestação de serviços de aluguel. O modelo de produção está passando a ser um modelo de utilidade, já batizado como TaaS, ou Technology as a Service.
No TaaS, sempre que o conhecimento humano permitir a colocação em prática de uma nova tecnologia, a tecnologia antiga poderá ser recolhida e sua matéria-prima utilizada na confecção da nova. O embrião desse conceito já bate à nossa porta - a logística reversa. O que para muitos ainda é considerado lixo, para as empresas de ponta, é matéria-prima. Observem os anúncios do tipo"na compra de um sofá novo, ganhe um desconto entregando o seu velho" ou "sua impressora vale até R$ 200,00 na compra de uma nova". Já é possível, portanto, imaginarmos um novo modelo de negócios baseado em um consumo de bens como um serviço - onde você aluga uma televisão ou um PC, e sempre que uma nova tecnologia superar a do seu equipamento, você terá o seu bem substituído por um mais moderno e eficiente.
Bem vindo ao mundo TaaS.
Otávio Cafundó é biólogo, especialista em conservação, sócio-diretor da Brasil Diverso Soluções Ambientais Ltda
http://www.brasildiverso.com.br
Blog da empresa Brasil Diverso Sustentabilidade e Meio Ambiente sobre negócios, ciência e cultura para a sustentabilidade.
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
terça-feira, 30 de outubro de 2007
O quadrante de Pasteur
Extraído do site da Radiobrás (www.radiobras.gov.br)Qual cientista foi mais importante para o avanço da humanidade: Thomas Edison, Louis Pasteur ou Niels Bohr? Uma questão difícil como essa é o que tenta responder Donald Stokes com o livro “O quadrante de Pasteur”. Nele, o autor utiliza dois eixos cartesianos para classificar as atividades de pesquisa. O eixo vertical associaria o projeto de pesquisa à sua relevância como gerador de conhecimento fundamental, aquele que leva a ciência a obter muito mais conhecimentos depois dele. O eixo horizontal é a sua relevância em termos de aplicações, econômicas ou sociais, imediatas.
Stokes propõe, na verdade, que o desenvolvimento científico não é uma coisa linear. Quando ele coloca Bohr no quadrante da relevância científica, está dizendo que as profundas teorias desse cientista na área da física e da química não tinham, obrigatoriamente, compromisso em desenvolver nada, nenhum produto, nenhum processo. Eram, simplesmente, interpretações dos fenômenos da natureza, e Bohr não conseguiu ultrapassar as fronteiras desse quadrante. No outro eixo, da relevância tecnológica, relevância da aplicação dos conhecimentos, quem está lá é Thomas Edison, com suas descobertas na área da eletricidade que acabaram gerando uma boa parte do que temos hoje no segmento. Edison tem um pouco de relevância científica, mas suas pesquisas se destacam pela utilização da ciência com perspectivas estratégicas. Ele é um inventor e usa os princípios da química e da física para inventar coisas. Não que essas coisas tenham aplicabilidade, mas ele está fornecendo um conjunto de informações e de detalhamentos, que podem ser aplicados no desenvolvimento de algum produto. Em outro quadrante está Pasteur, com as mesmas qualificações de Bohr e de Edison, mas que aplicou ao extremo os conhecimentos acumulados. Seus estudos na microbiologia, no conhecimento dos microorganismos, possibilitaram o desenvolvimento de vacinas, contribuíram, também, para o entendimento da fermentação na produção do vinho e da cerveja e aprofundaram os conhecimentos da química orgânica. Ele tinha um pouco do Bohr, do Edison e muito de aplicabilidade do conhecimento já fazendo a vacina e melhorando a produção do vinho.
O quarto quadrante, omitido por Donald Stokes devido à sua morte prematura, teve uma atenção especial quanto à resposta da sociedade frente suas necessidades que não poderiam ser supridas por quaisquer outros quadrantes. Este quadrante (em branco) foi posteriormente batizado de quadrante de Ruetsap. Novas considerações muito interessantes foram feitas por Francisco Neto, em seu artigo: "O quadrante de Ruetsap e a anti-ciência, tecnologia e inovação", que nos ajuda a compreender fenômenos sociais, científicos e tecnológicos nas áreas externas à academia. Recomendo sua leitura.
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Cauda Longa e o Meio Ambiente

Bom, depois de toda essa introdução, acredito que agora eu possa resumir com tranquilidade tudo que eu queria dizer numa simples frase de Chris Anderson:
"no mundo virtual, estamos cada vez mais transformando em bits o que antes era matéria"...
Vocês conseguem imaginar as implicações ambientais da difusão desse conceito em nossa sociedade? Antes de consumir, pense em bits...
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Conceito da Cauda Longa - Chris Anderson
Extraído de WIKIPEDIA
O livro A Cauda Longa (do original em inglês The Long Tail) foi publicado nos EUA no final do ano passado. E é o resultado de um detalhado estudo desenvolvido por Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, no qual analisa as alterações no comportamento dos consumidores e do próprio mercado, a partir da convergência digital e da Internet. Trata-se da teorização de um fenômeno já existente e em virtuosa ascensão na indústria do entretenimento, que tem gerado um movimento migratório da cultura de hits para a cultura de nichos, a partir de um novo modelo de distribuição de conteúdo e oferta de produtos.
Antes da Internet, a oferta de produtos era feita única e exclusivamente através de meios físicos: um produto físico, distribuído através de um modelo de distribuição físico, exposto em lojas físicas, que atendiam os consumidores de determinada região. Nesse modelo, os custos de armazenagem, distribuição e exposição dos produtos são muito altos, o que torna economicamente viável apenas a oferta de produtos populares, para o consumo de massa. E é justamente por isso que crescemos acostumados a consumir um número reduzido de mega-sucessos; pop stars, block busters etc. Um varejista tradicional, que tem custos fixos altíssimos para manter sua loja aberta, não tem espaço nas prateleiras para ofertar um produto que não venda pelo menos algumas dezenas de exemplares todo mês. Essa é a cultura de hit.
Com o surgimento do mundo virtual, estamos cada vez mais transformando em bits o que antes era matéria. E é justamente o rompimento das barreiras físicas que torna possível a criação de modelos de negócios de Cauda Longa, em que a oferta de produtos é praticamente ilimitada, uma vez que os custos de armazenagem e distribuição digitais são infinitamente inferiores. Produtos economicamente inviáveis no modelo de hit encontram no meio digital seus consumidores. Por sua vez, os consumidores que antes tinham acesso a um número reduzido de conteúdos, passaram a ter uma variedade quase que infinita de novas opções. E passaram a experimentar mais, consumir produtos que até então desconheciam. É essa variedade e essa nova experimentação que proporcionam as alterações no consumo tradicional (Não é à toa que a geração da Internet é menos fiel às marcas e mais predisposta a consumir novos produtos).
O que antes era um mercado ignorado, não só passa a ter valor como vem crescendo a cada ano. Peguemos como exemplo o mercado de músicas digitais. Somadas, todas as centenas de milhares de músicas menos populares, de bandas menores ou desconhecidas no mainstream (novos nichos), cujas faixas vendem apenas alguns downloads ao ano na iTunes, já representam um volume de vendas equivalente ao dos poucos hits produzidos para vender milhões de unidades.
Importante destacar que o conceito de Cauda Longa se aplica a praticamente todo mercado, inclusive o mercado de mídia. Com a convergência digital, é muito provável uma reorganização na distribuição da audiência, não apenas por conta de alterações nas características dos meios e na maneira como são consumidos, mas principalmente por alterações no próprio comportamento do consumidor.
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Convido-os a assistir esta palestra em vídeo, apresentada por Chris Anderson, o autor do livro "The Long Tail". Aqui ele exemplifica de maneira esplêndida como o conceito da cauda longa pode ser aplicado a qualquer área da economia, nesse mundo de tecnologia e informação.
Agora, assista à esse vídeo, que apesar de já estar bem rodado pelo YouTube, vai ajudar a esclarecer o conceito. Este vídeo fala sobre a geração da internet, a nova economia eletrônica que está criando o mundo do consumo de bits. Conheçam o Rafinha...
O livro A Cauda Longa (do original em inglês The Long Tail) foi publicado nos EUA no final do ano passado. E é o resultado de um detalhado estudo desenvolvido por Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, no qual analisa as alterações no comportamento dos consumidores e do próprio mercado, a partir da convergência digital e da Internet. Trata-se da teorização de um fenômeno já existente e em virtuosa ascensão na indústria do entretenimento, que tem gerado um movimento migratório da cultura de hits para a cultura de nichos, a partir de um novo modelo de distribuição de conteúdo e oferta de produtos.
Antes da Internet, a oferta de produtos era feita única e exclusivamente através de meios físicos: um produto físico, distribuído através de um modelo de distribuição físico, exposto em lojas físicas, que atendiam os consumidores de determinada região. Nesse modelo, os custos de armazenagem, distribuição e exposição dos produtos são muito altos, o que torna economicamente viável apenas a oferta de produtos populares, para o consumo de massa. E é justamente por isso que crescemos acostumados a consumir um número reduzido de mega-sucessos; pop stars, block busters etc. Um varejista tradicional, que tem custos fixos altíssimos para manter sua loja aberta, não tem espaço nas prateleiras para ofertar um produto que não venda pelo menos algumas dezenas de exemplares todo mês. Essa é a cultura de hit.
Com o surgimento do mundo virtual, estamos cada vez mais transformando em bits o que antes era matéria. E é justamente o rompimento das barreiras físicas que torna possível a criação de modelos de negócios de Cauda Longa, em que a oferta de produtos é praticamente ilimitada, uma vez que os custos de armazenagem e distribuição digitais são infinitamente inferiores. Produtos economicamente inviáveis no modelo de hit encontram no meio digital seus consumidores. Por sua vez, os consumidores que antes tinham acesso a um número reduzido de conteúdos, passaram a ter uma variedade quase que infinita de novas opções. E passaram a experimentar mais, consumir produtos que até então desconheciam. É essa variedade e essa nova experimentação que proporcionam as alterações no consumo tradicional (Não é à toa que a geração da Internet é menos fiel às marcas e mais predisposta a consumir novos produtos).
O que antes era um mercado ignorado, não só passa a ter valor como vem crescendo a cada ano. Peguemos como exemplo o mercado de músicas digitais. Somadas, todas as centenas de milhares de músicas menos populares, de bandas menores ou desconhecidas no mainstream (novos nichos), cujas faixas vendem apenas alguns downloads ao ano na iTunes, já representam um volume de vendas equivalente ao dos poucos hits produzidos para vender milhões de unidades.
Importante destacar que o conceito de Cauda Longa se aplica a praticamente todo mercado, inclusive o mercado de mídia. Com a convergência digital, é muito provável uma reorganização na distribuição da audiência, não apenas por conta de alterações nas características dos meios e na maneira como são consumidos, mas principalmente por alterações no próprio comportamento do consumidor.
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Convido-os a assistir esta palestra em vídeo, apresentada por Chris Anderson, o autor do livro "The Long Tail". Aqui ele exemplifica de maneira esplêndida como o conceito da cauda longa pode ser aplicado a qualquer área da economia, nesse mundo de tecnologia e informação.
Agora, assista à esse vídeo, que apesar de já estar bem rodado pelo YouTube, vai ajudar a esclarecer o conceito. Este vídeo fala sobre a geração da internet, a nova economia eletrônica que está criando o mundo do consumo de bits. Conheçam o Rafinha...
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sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Profissões do futuro, ou o futuro das profissões? A era da informação entra em casa...
Este é um vídeo muito inteligente e bem feito do SEBRAE de São Paulo, que fala sobre a importância da educação para formar os profissionais do amanhã. O mais interessante é a discussão sobre as profissões do futuro. A maioria delas ainda nem existem, sendo assim, como faremos para que as pessoas estejam preparadas para entrar no mercado do amanhã? Só há uma maneira - através do empreendedorismo. Já sentimos os efeitos da necessidade dessa mudança cultural, pois muitas das profissões que já existem hoje (e que muitas vezes brigam inutilmente por regulamentação) não existiam a 5 ou 10 anos atrás. Peço uma atenção especial aos comentários do Professor Luiz Carlos de Menezes, do Intituto de Física da USP, sobre os efeitos de nossa herança social da era industrial. Este vídeo mostra que é preciso deixar de lado essa cultura mecanicista obsoleta (geração de empregos de baixa qualificação, produção em massa de produtos de baixo valor agregado, com o uso de baixa tecnologia), e entrar de cabeça na era da informação (da alta tecnologia e da criatividade). Mais um sinal da mudança de padrão civlizatório que está vindo pra ficar...
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sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Geotecnologia: ESRI Touch Table
Mais uma das maravilhas do mundo. E ainda não acharam o Bin Laden...
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Uma questão de DESIGN
Não há nada no mundo tecnológico hoje que não tenha sido criado por um designer. Design significa intenção. Nenhuma das grandes revoluções que aconteceram em nossas vidas nos últimos anos foram causadas por inovações tecnológicas, e sim, inovações no design. Veja o caso do iPod. Nenhuma das tecnologias embutidas no produto foram desenvolvidas especialmente para serem usadas no produto. Elas já existiam, só não tinham nunca sido usadas juntas, com um propósito. Simplesmente um designer pensou um jeito de uní-las num único aparelho, com a intenção de proporcionar entretenimento fácil e acessível a um grande público. Já existe massa crítica de conhecimento e tecnologia para que, através do design, possamos dar grandes saltos de qualidade na nossa vida e melhorar o mundo. Pense em design.
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